É o Boris

Boricas para os amigos.

O Boricas foi acolhido na União Zoófila há quase três anos. Era uma bola de pêlo aos caracóis ruivos dentro de uma jaula da Enfermaria quando o conhecemos. Uma bola de pêlo com dentes afiados e preparados para ferrar em quem se atrevesse a dar mais um passo.

Como não rir diante de uma bola de pêlo aos caracóis completamente enfurecida? De lábio arreganhado. Emitindo um som feroz, aparentado ao dos leões. Uma bola de pêlo furiosa!

O problema, descobrimos logo, era a comida. Ou seja, o Boris defendia o prato da comida e ai de quem se aproximasse.

Mas o Boricas não podia viver eternamente dentro da jaula. Os cães ao cuidado da União Zoófila saem para espaços de recreio todos os dias. E aquele ruivo não podia ser excepção.

Pois bem. De acordo. E quem é intrépido sem grande estima pelas próprias mãos que as põe em cima do Boricas e pega nele para levá-lo para o pátio?

Recorremos à táctica da manta. Pega-se numa manta. Atira-se a manta para cima da bola de pêlo ruiva enfurecida, enrola-se o furioso bem enroladinho na manta, agarra-se o leão bem agarradinho, afasta-se a fera da comida, percorre-se dois ou três metros com o ranger do Texas ao colo, desenrola-se o Hulk canino e…

Sabem o que aconteceu depois? O Boricas transformou-se numa bolinha de pêlo amistosa, a abanar-se e a atirar-se para cada banheira que estivesse, durante o Verão, no seu caminho. Sim, o Boris também é um peixe. 

O problema dele era, definitivamente, a necessidade que sentia de proteger o prato da comida.

O problema das pessoas que adoptam animais com este tipo de comportamento é que os devolvem à primeira rosnadela. Por isso, a adopção do Boricas parecia-nos improvável.

Mas, às vezes, a vida surpreende-nos. Pela positiva.

Um casal quis conhecer a nossa bola de pêlo ruiva susceptível de psicopatia quando perto da ração. Explicámos:”‘Olhem que ele não é fofinho sempre, às vezes não é nem um pouco fofinho.”

O casal visitou o Boris várias vezes. Depois passeou-o no exterior do abrigo. O Boris é (um bocadinho) instável mas não é parvo. O Boricas sentiu que havia ali amor por ele. E correspondeu.

O Boricas sabe ser adorável. O Boricas é adorável. Ele é saltinhos para o colo. Ele é beijinhos. Ele é toques amorosos com as patinhas. Mas NÃO MEXAM NA COMIDA DELE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O tempo passou. O amor cresceu. O casal adoptou o Boris.

Não é fácil adoptar na União Zoófila, é verdade. E este casal que o diga. Tanto que os dois ouviram: “O Boris?! O Boris morde!” De toda a gente que conheceu e, uma ou outra vez, provou os dentes, ou melhor, foi provado pelo Boricas.

O casal adoptou o Boris. O casal contratou um treinador para ajudar o Boris a entender que a ração dos cães não é apetecível para as pessoas. O casal foi de férias para o Brasil. O Boris também foi. Ei-lo no aeroporto, à espera do embarque.

A distância entre o que aqui vemos e o que primeiro vimos quando conhecemos o Boris é enorme, muito maior do que a que separa o Portugal do Brasil. 

Boa viagem, família!

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